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Modelo de assistência psiquiátrica no SUS recebe críticas em
Fórum do CFM
O modelo assistencial em saúde mental implementado no âmbito do Sistema
Único de Saúde (SUS) foi alvo de fortes críticas durante o I Fórum
Câmara Técnica de Psiquiatria Integração CFM x CRMs, realizado nesta
quarta-feira (17), pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), na sede da
entidade, em Brasília. Durante a reunião, os participantes questionaram
as políticas públicas de assistência em Psiquiatria, adotadas pelo
Ministério da Saúde. No entendimento do grupo, as medidas em prática
comprometem a atenção à saúde mental, porque criam obstáculos ao bom
diagnóstico e ao tratamento de pacientes com transtornos mentais.
As conclusões serão incorporadas ao relatório que será apresentado e
discutido pelo plenário do CFM. “O encontro foi relevante e pertinente
dentro de nosso propósito de avaliar e colaborar com a formulação de
políticas públicas na área de saúde. Os conselhos de Medicina são atores
importantes neste contexto e têm muito com o que contribuir”, ressaltou
o conselheiro Emmanuel Fortes, 3º vice-presidente do Conselho e
coordenador da Câmara Técnica.
O Fórum foi organizado
pela Câmara Técnica de Psiquiatria do Conselho Federal de Medicina e
contou com representantes de conselhos regionais de Medicina e de outras
entidades que acompanham de perto o tema. Para os participantes do
encontro, os problemas da assistência em Psiquiatria são inúmeros e
acontecem em diferentes níveis da assistência.
Pontos
frágeis - Entre outros pontos, eles reclamam da baixa proporção de
serviços especializados em comparação com o tamanho da população e
também da estigmatização do trabalho do psiquiatra. De acordo com o
presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), João Alberto
Carvalho, na formulação da política de saúde mental do Ministério da
Saúde, “prescindiu-se da posição técnica do médico e tentam uma
ferramenta onde nem sempre a assistência médica está garantida, o que
leva os psiquiatras a serem estigmatizados”, declarou.
As
críticas atingem a política de desospitalização implementada pelo
Ministério da Saúde, após a aprovação do projeto de lei da Reforma
Psiquiátrica, em 2001. Para os participantes do Fórum, esta política, na
prática, não se preocupou em oferecer, ao cidadão, reais alternativas
de tratamento nos casos onde a internação aparece como uma etapa
incontornável no tratamento dos problemas diagnosticados.
Além
da dificuldade de acesso à internação, a redução no número de leitos
psiquiátricos tem contribuído para sobrecarregar a rede hospitalar,
sobretudo nos municípios do interior e mesmo em algumas capitais. É o
caso de Teresina (PI), onde a falta de serviços capazes de acolher e
tratar casos de internação em cidades pequenas do Estado obriga a
capital piauiense a assumir a responsabilidade de acolhê-los, muitas
vezes sem sucesso. “A quantidade de doentes mentais nas ruas é um
indicativo da desassistência”, ressaltou João Alberto Carvalho,
presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).
Essa
realidade foi confirmada por Carlos Francisco Almeida de Oliveira,
integrante da Câmara Técnica de Psiquiatria do CRM do Piauí. “Nós
estamos assistindo, em nossa cidade, o acúmulo de pacientes com
transtornos psiquiátricos nas praças. Sobretudo, no caso dos dependentes
químicos. Eles levam colchões, se instalam onde podem, e ficam a mercê
de qualquer tipo de violência”.
Dependência química
- *A falta de atenção adequada aos usuários de álcool e outras drogas
também foi ressaltada pelos participantes do Fórum, realizado no CFM,
como um problema grave no âmbito da atenção psiquiátrica no país. De
acordo com o integrante da Câmara Técnica e representante do Conselho
Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), Ronaldo Ramos Laranjeira, a
crítica se dirige aos Centros de Atenção Psicossocial especializados no
acompanhamento de pacientes com dependência química, conhecidos como
CAPs-ad.
O número de unidades em funcionamento não é
suficiente para atender a demanda crescente na população, afirmam os
participantes do encontro. Além disso, eles apontam a falta de leitos de
internação preparados para receber estes casos. A preocupação cresce
ainda mais com o fenômeno do crack, droga barata e que tem ampliado
muito seu número de usuários em vários estados, transformando-se num
problema de saúde pública. Para Emmanuel Fortes, o tema merece uma
profunda reflexão, pois a “política antidrogas não combate, mas estimula
o consumo”.
Autonomia do paciente - O Fórum
também discutiu as diretrizes para um modelo de assistência integral em
saúde mental no Brasil, que incluem, entre outros pontos, a elaboração
de campanhas para reduzir o estigma dos portadores de transtornos
mentais, além do processo de formação médica - desde a graduação até a
residência médica em Psiquiatria.
Um assunto polêmico
discutido foi a autonomia do portador de transtornos mentais. “O
paciente que tem condições de decidir sobre o tratamento, pode não ter
condições de decidir sobre a sua vida civil, mas tem capacidade de
conhecer o próprio corpo e a gravidade do caso dele. Nesse
caso,
deve ser respeitada a vontade do paciente”, assinalou o promotor de
Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, Diaulas
Ribeiro, um dos conferencistas convidados.
No Fórum,
os participantes apresentaram várias sugestões, como a criação de uma
comissão de implantação das diretrizes em Psiquiatria e outra de revisão
dessas diretrizes. As deliberações serão discutidas pelo CFM, em Sessão
Plenária. Também foram palestrantes no encontro o presidente do
Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego), Salomão Rodrigues
Filho; vice-presidente do CRM-MS, Juberty Antonio de Souza; o
conselheiro do CRM-PA, Benedito Paulo Bezerra; o promotor de Justiça
aposentado, José Geraldo Vernet Taborda; o conselheiro do CRM-MT e
conselheiro federal suplente, Alberto Carvalho de Almeida; o integrante
da Câmara Técnica de Psiquiatria e Saúde Mental do CREMERJ, João
Romildo Bueno; o coordenador da Câmara fluminense, Paulo César Geraldes;
e o membro do conselho consultivo e ex-presidente da ABP, Josimar Mata
de Farias França.
Fonte: www.portalmedico.org.br
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